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Os Segredos dos "Doze Passos" |
| Narcóticos Anônimos |
Sempre que mencionamos os Doze Passos dizemos: “Temos que admitir isso”. “Temos que fazer aquilo”. Mas a sabedoria deles é tão grande que as suas formulações nunca aparecem de forma imperativa. Trata-se apenas de um conjunto de afirmações, contendo uma série de atitudes tomadas por pessoas que se recuperaram. E isso é bom, já que imposições quase nunca funcionam com doentes emocionais.
O estudo dos Doze Passos, entretanto, exige mais do que simplesmente considerá-los em seu todo. É preciso focar a lente da nossa compreensão em seus detalhes, para metodizar sua prática de forma correta. Os pormenores dos enunciados, bem como a lógica da sua seqüência, não ficam transparentes através de uma mera leitura menos atenta.
Pelo menos em nosso caso foi assim. Por isso, desenvolvemos um sistema próprio para assimilar toda a essência dos Doze Passos, desmembrando-os em Vinte e Uma Sugestões e Sete Chaves Explicativas, conforme denominamos que adotamos para facilitar seu entendimento.
AS SUGESTÕES
Primeira e Segunda sugestões (1º Passo): ADMITIR NOSSA IMPOTÊNCIA PERANTE NOSSAS EMOÇÕES e ADMITIR A FALTA DE DOMÍNIO SOBRE NOSSA VIDA. Entenda-se IMPOTÊNCIA como FALTA DE FORÇA DE VONTADE.
Embora em intensidade diferente na experiência de cada pessoa, dois são os fatos a serem reconhecidos para o início do tratamento; falta de VONTADE PRÓPRIA (impotência) e de DOMÍNIO SOBRE NOSSA VIDA. Se não fizermos este Passo bem feito, jamais faremos qualquer outro.
Terceira sugestão (2º Passo): ACREDITAR QUE UM PODER SUPERIOR PODERÁ NOS CURAR.
A recomendação é para passarmos a ter fé em algo mais poderoso que nós. Humildade é a palavra de ordem no Passo anterior e neste. Qualidade essa difícil de ser encontrada em pessoas neuróticas mas que deve ser desenvolvida para fazer os Passos visando a recuperação.
Entretanto, se nas duas primeiras sugestões reconhecemos o “fundo do poço”, aqui começa a escalada para fora dele.
Quarta e Quinta sugestões (3º Passo): ENTREGAR NOSSA VONTADE e ENTREGAR NOSSA VIDA À DEUS.
Ora, se admitimos no Primeiro Passo que perdemos o domínio sobre a nossa VONTADE e sobre a nossa VIDA, por que não entregá-las a quem as possa gerenciar? Naturalmente ao Poder Superior, no qual viemos a acreditar ao fazer o Segundo Passo.
Sexta sugestão (4º Passo): FAZER O INVENTÁRIO MORAL.
Chegou a hora de enfrentar nosso pior inimigo: “nós mesmos”. No Segundo e Terceiro Passos nos voltamos ao Poder Superior. Aqui nos voltamos para nós próprios, , procurando descobrir nossos defeitos de caráter. Começamos assumir nossa parte numa parceria com Deus para mudar nosso destino.
Sétima, oitava e nona sugestões (5º Passo): ADMITIR PERANTE DEUS, ADMITIR PERANTE NÓS MESMOS e ADMITIR PERANTE OUTRO SER HUMANO A NATUREZA EXATA DAS NOSSAS FALHAS.
Perante Deus em Quem possamos confiar (2º Passo), entregando-nos a Ele (3º Passo). Perante nós mesmos para assumir as responsabilidades do nosso Quarto Passo. Perante outro ser humano para ouvirmos nossa própria confissão e nos sentirmos aceitos, exatamente como somos.
Décima sugestão (6º Passo): PRONTIFICARMOS A DEIXAR QUE DEUS REMOVA NOSSOS DEFEITOS.
Prontificar-se é aceitar a idéia de viver sem tudo que nos prejudica, ainda que alguma dessas coisas nos satisfaçam aparentemente. Essa disposição é o fruto do Quarto e Quinto Passos e nos habilita para fazer o Sétimo, a seguir.
Décima primeira sugestão (7º Passo): ROGAR A ELE QUE NOS LIVRE DAS IMPERFEIÇÕES.
Agora sim, decidimos eliminar nossas mazelas e pedimos ajuda a Deus. Todos os Passos anteriores nos preparam para este momento de reconstrução da nossa vida. No Sexto Passo nos abrimos para aceitar a mudança; neste rogamos essa graça.
Décima segunda e terceira sugestões (8º Passo): RELACIONAR AS PESSOAS QUE PREJUDICAMOS e DISPOR-SE A REPARAR OS DANOS.
Se realmente cumprimos todos os demais Passos, necessariamente chegaríamos neste. Não podemos nos reabilitar moralmente como pessoa tendo consciência que prejudicamos alguém e não fizemos nada a respeito. Estar duas sugestões, entretanto, ainda não efetiva as reparações; prepara-nos para elas que acontecem na etapa que segue com o Nono Passo.
Décima quarta sugestão (9º Passo): REPARAR OS DANOS.
Aqui efetivamos a “ação” de promover a reparação dos danos que provocamos. É a seqüência do Oitavo Passo anterior . com isso, aos poucos, vamos limpando todas as influências negativas do nosso passado, abrindo-nos para um futuro cada vez melhor.
Décima quinta e sexta sugestões (10º Passo): CONTINUAR FAZENDO O INVENTÁRIO PESSOAL e ADMITIR SEMPRE QUE ESTIVERMOS ERRADOS.
Não podemos voltar ao que éramos antes. Entretanto, a nossa natureza humana exige vigilância. Se continuarmos atentos ao que pensamos, sentimos e fazemos, reconhecendo de pronto os deslizes do nosso comportamento, evitaremos, com certeza, nova falência moral. Cumprindo estas duas sugestões, manteremos nossa vida equilibrada, tendo condições de obter êxito nos dois últimos Passos seguintes.
Décima sétima, oitava e nona sugestões (11º Passo): MELHORAR NOSSO CONTATO COM DEUS, ROGAR O CONHECIMENTO DE SUA VONTADE e ROGAR FORÇAS PARA REALIZÁ-LA.
No Segundo Passo passamos a ter fé num Poder Superior. No Terceiro, Quinto, Sexto e Sétimo nos envolvemos com Ele, para o nosso aprimoramento pessoal. É natural que a esta altura, estejamos buscando uma ligação mais estreita com o Alto. Mas a situação deste Passo é bem diferente. Se com as primeiras duas sugestões reconhecemos a ausência da FORÇA DE VONTADE em nós e a falta de DOMÍNIO sobre a VIDA, a ponto de entregarmos a nossa VONTADE e a nossa VIDA à Deus, no Terceiro Passo, aqui invertemos os papéis. Queremos conhecer a VONTADE Dele, pedindo forças para realizá-la em nossa VIDA. Isto é, estamos querendo tornar nossa VIDA uma VONTADE de Deus. Pretendemos agora colaborar, não continuar sendo mais um peso para Ele. Entretanto, este Passo também não representa ainda a “ação” de se estar a “serviço” do Criados. Caminhando por todos os Passos, chegamos nesta fase preparatória que nos conduz a última etapa, no Décimo Segundo Passo.
Vigésima e vigésima primeira sugestões (12º Passo): TRANSMITIR A MENSAGEM e PRATICAR OS PRINCÍPIOS EM TODAS AS ATIVIDADES.
Desde que despertamos para a necessidade de mudar nossa vida, certamente começamos a ser mais útil para Deus. Mas somente ao sermos atendidos no Décimo Primeiro Passo, adquirimos as plenas condições para o cumprimento das duas últimas sugestões mencionadas. Já não estamos pensando apenas em nós egoísticamente. Queremos transmitir a mensagem. Passamos a ser um servidor do mundo, ajudando aqueles que sofrem: nossos irmãos. E para chegar até eles, não queremos utilizar somente a palavra, mas inclusive o nosso próprio exemplo de vida. Por isso pregamos o que praticamente no dia a dia. Nada mais conveniente poderia nos ser sugerido.
RESUMO
Para bem assimilarmos todo o conteúdo dos Doze Passos, vimos que é importante perceber quantas sugestões cada um deles contém. Para evitar que deixemos pontos falhos na esteira de objetivos que nos levam a recuperação.
Resumindo, podemos verificar que os Doze Passos são como uma escada de doze degraus. Sucessivamente, um degrau serve de apoio para o degrau seguinte. Igualmente, um Passo nos oferece a condição para cumprirmos o outro.
- Sem a dor do Primeiro Passo, dificilmente nos voltamos a Deus no Segundo.
- Sem a fé do Segundo, não entregaremos nossa vida a Ele no Terceiro.
- Sem essa entrega do Terceiro, jamais nos preocuparíamos em fazer o inventário do Quarto.
- Sem a auto-análise do Quarto, não chegaremos às falhas a serem admitidas no Quinto.
- Sem a admissão dos nossos erros no Quinto, não podemos nos prontificar a corrigí-los no Sexto.
- Sem prontificarmos no Sexto, não vamos rogar sinceramente a Deus para que nos livre das imperfeições, de acordo com o Sétimo.
- Sem a decisão de nos aperfeiçoar, tomada no Sétimo Passo, nunca iríamos relacionar as pessoas que prejudicamos, conforme o Oitavo.
- Sem a relação do Oitavo, não teríamos como fazer as reparações no Nono.
- Sem a reparação do Nono, não teria sentido continuarmos o auto-exame do Décimo.
- Sem a permanente vigilância sobre nós mesmos do Décimo, não haveria o impulso para estreitarmos nossa ligação com o Poder Superior, recomendada no Décimo Primeiro.
- E sem a coligação com Deus no Décimo primeiro, nunca estaríamos prontos para o despertar espiritual e, em conseqüência, para transmitir a mensagem e praticar os princípios assimilados em nossa própria vida, conforme dispõe o Décimo Segundo, e último, Passo.
AS CHAVES EXPLICATIVAS
Primeira Chave (3º e 11º Passos): CONCEPÇÃO DE DEUS, DE ACORDO COM CADA UM
O programa não define Deus. Ao contrário, nos Passos mencionados fica claro que podemos considerar Deus, conforme O entendemos. Não precisamos adotar o conceito de ninguém. É recomendado apenas que se creia num Poder Superior a nós mesmos (2º Passo). Com ou sem religião, mesmo sendo ateu ou agnóstico, todas as pessoas que queiram se recuperar podem se abrir para aceitar as recomendações dos Passos. Muitos desenvolvem conceitos próprios para recorrerem a uma Força além de si mesmo. Uns consideram a energia do Grupo, o apoio dos companheiros; outros a Lei da natureza e assim por diante. Vários são os relatos daqueles que formularam formas pessoais de aceitar um Poder Superior, beneficiando-se da Programação. E assim ninguém precisa sentir-se confrontado em sua onipotência neurótica, indispondo-se com o tratamento.
Segunda Chave (4º Passo): INVENTÁRIO MINUCIOSO E DESTEMIDO.
Não se trata apenas de aceitar o que não se vive corretamente. É mais do que isso. A nossa auto análise deve ser “minuciosa” e “destemida. O NA tem um folheto contendo um roteiro destinado a facilitar a prática do Quarto Passo, da forma mais abrangente possível.
Terceiro Chave (5º Passo): A NATUREZA DAS NOSSAS FALHAR.
Admitir simplesmente nossas falhas não é suficiente. É preciso reconhecer a “NATUREZA EXATA” das nossas imperfeições. Que uma “mentira” não seja disfarçada como sendo uma mera “desculpa”; que um “defeito de caráter” não seja revelado como um mero “erro humano” , por isso desculpável, etc.
Quarta e Quinta Chaves (9º Passo): REPARAÇÕES POSSÍVEIS e REPARAÇÕES QUE NÃO VENHAM PREJUDICAR NINGUÉM.
Só um exemplo: se não temos dinheiro, se estamos desempregados, como fazer uma reparação financeira?
Uma saída é nos justificar pessoalmente com o nosso credos, reconhecendo a dívida e explicando os motivos legítimos que impedem sua solução. Com a prática do Programa, os recursos monetários, certamente, virão. E a reparação poderá ser concretizada.
É evidente que não se está tratando, nesse Passo, somente de prejuízos sentimentos, amizade que podemos ter violado também, exigindo uma reparação da nossa parte.
SEMPRE QUE POSSÍVEL quer dizer: SE, e QUANDO for possível. Nossa consciência e nossa disposição pessoal ajudarão muito na concretização dessas providências.
Não será possível nos retratar perante alguém que já faleceu. Devemos recuar também se nossa reparação vá prejudicar qualquer pessoa.
É preciso ponderar as situações.
Sexta Chave (11º Passo): ATRAVÉS DA PRECE E MEDITAÇÃO.
Como nos chegar mais à Deus?
A resposta é clara: ATRAVÉS DA PRECE E MEDITAÇÃO. Que cada um utilize sua forma própria para “Orar” e “meditar”. Não há necessidade de se perder tempo preocupando-se com o “como” Orar, nem com o “como Meditar. Se formos pesquisar, as várias fontes apresentam receitas diversas. Não fiquemos perdidos nelas. Façamos da nossa maneira. Da maneira que venha do nosso coração. Deus é versátil. E atende a nossa intenção, sem depender da forma que a manifestamos.
ORAR e MEDITAR: todos os auto-realizados recomendam isso.
Sétima Chave (12º Passo): DESPERTAR ESPIRITUAL.
Quando transmitir a mensagem e quando praticá-la em nossa vida?
Essa pergunta talvez seria formulada se indagação fosse “EM QUE MOMENTO ESTAREI VERDADEIRAMENTE TRANSMITINDO A MENSAGEM E CONCRETIZANDO SUA PRÁTICA EM MINHA VIDA?”.
E a resposta seria: COM O DESPERTAR ESPIRITUAL. E naturalmente, só com um “despertar espiritual” é possível cuidar das “coisas espirituais”. Antes podemos (e até devemos como treinamento) estar falando; não transmitindo autenticamente. Algo soa falso e todos percebem. Também não conseguimos nos comportar de acordo com tudo aquilo que ainda não assimilamos por dentro. Que não passe a integrar profundamente o nosso ser interno.
Entendemos que o “Despertar Espiritual” acontece quando sentimos em nosso coração que estamos no caminho correto. E que já não existe outro, a não ser esse. É diferente de uma postura mental ou emocional que ainda nos deixa dúvidas. As nossas palavras não condizem com o nosso comportamento. Por isso não atingimos o alvo. E só boa intenção nem sempre é convicção. E também não convence.
Nélson S.
“NA – NEURÓTICOS ANÔNIMOS”
Grupo Aconchego – Atibaia